A ciência que nos torna nós mesmos

Sempre imaginei a ciência das coisas, que conceitua os cientistas, como algo fabuloso, algo que só é herdado por aqueles que estão dispostos a segregar a própria vida em função do entendimento das coisas existentes. No princípio, achava que a ciência era absoluta no que diz respeito a, fonte de entendimento das vias funcionais e constitutivas físicas da realidade. Estava errado.

Quando não possuimos um contato estreito com os mecanismos utilizados pela ciência para apoiar suas bases fundamentais, somos embebedados na crença de que a vida sem ela é insossa se não tivermos a nossa disposição a definição dos fenômenos e a causa de cada um dos efeitos observados pelas nossas capacidades perceptivas. Enquanto alguns utilizam o cientificismo para julgar conhecíveis todas as coisas, outros descobrem que esse julgamento é irrisório diante do fato de que a primeira incapacidade humana se mostra no momento que homem tenta descobrir e interpretar a si mesmo. Talvez eu poderia dizer que existe uma boa ciência e uma má ciência; a boa, é aquela que mostra ao homem quem de fato ele é, não no conhecimento da sua constituição física e psíquica, mas o conhecimento no que diz respeito a sua própria incapacidade de conhecer o que almeja; a má, é a ciência que o engana, aquela que o embebeda e o faz acreditar que ela é a sacerdotisa mediadora entre ele e a realidade externa, tornando-o inconscientemente fundamentalista.

As respostas são os alvos previstos e almejados por aqueles que se submetem a perguntar, e descobrem que o ato de conceber uma resposta resulta na gestação de uma nova pergunta. Apesar das respostas serem os entes desejados no ritual questionamentário, percebi que não são elas que causam a impulsão humana na perscrutação da realidade, mas sim as perguntas. A consciência de que as perguntas e os questionamentos afloram de forma indeterminada e desregrada, me levou aos campos da dúvida; não da dúvida cética, mas da dúvida cientificamente cautelosa, que livra o homem da ciência absolutista pedante. A dúvida é a consciência da nossa incapacidade de conhecer a forma cabal das coisas; é pela via da dúvida que a boa ciência é feita, ou seja, é quando homem toma para si um “sim” dado pela natureza, que é a confirmação de uma hipótese por intermédio das vias experimentais, como um “talvez”.

6 comentários:

  1. Concordo meu caro amigo, acho que a ciência má como definiu Vc, embebeda a todos, de forma que todos nós a princípio imaginamos que a ciência é absoluta e inquestionavél, quando na verdade é ao contrario, ela é relativa, dinamica, e acima de tudo tem que passar por questionamentos. ah, se todos nós fossemos teimosos, e tivessemos essa dúvida ai descrita!

  1. O fato Osmando é que, há uma confusão em relação ao conceito de uma boa ciência. Uma boa ciência é a que vem junto com as suas bases epistemológicas, e são justamente essas bases que tiram a ciência da sua absolutividade, e não como muitos alegam que, tirar essa absolutividade é uma tentativa de descredenciar a ciência.
    Mas... a idéia exposta, é só um início para o complexo "emaranhado" cientifico, político e o pior, econômico a que ciência pós modernista se encontra.

    DG

  1. ahh...as bases epistemológicas.^^D

    Muito bom meu caro Diego. Continuarei lendo seus textos.

  1. Opa... agora o grande Weris se encontra aqui tbm!
    O cara da ESA!
    hehe

  1. Crença e Ciência
    No que pode afirmar com quem esta à verdade?
    Existe um grupo de pessoas a quem se denomina que não existe um ser supremo (Deus) ou outros titulo como assim baseiam através do conhecimento exato da matemática e da possibilidade de comprovação do fato.
    Neste grupo de pessoas se encontram: físicos, arqueólogos, cientista etc.
    No mais forte argumento; que as escrituras que chamamos, como livro a bíblia assim não tem nenhuma base cientificamente.
    Não podemos basear que a bíblia seja uma um livro cientifico na visão ciência no que se refere à exatidão que a ciência tudo comprova.
    Para compreender do que estou querendo dizer que o fato a Bíblia é um resumo de antigos escritores de pensamentos e revelações pessoais e para o povo da época na linguagem a qual entendiam e vivenciavam no momento.
    Muitas coisas não foram colocadas na bíblia e também não caberiam em um livro só.
    Porem o que foi escrito , entendido e vivido por gerações de pessoas. Esta no nosso cotidiano, nas leis de nosso país. Como na constituição de vários países e assim a religião é o berço das civilizações.
    Estas pessoas esquecem que sua formação intelectual se baseia na religião passada através de gerações e leis de seus países.
    Exemplo: Minha mãe ensinou não pegar nada que não fosse meu, (roubar) no termo da palavra pela lei quem cometer a conseqüência para infração.
    De onde se originou esta lei? Como assim muitas outras leis que mencionamos na bíblia.
    Agora na crença de um ser supremo (Deus) e qual meu propósito aqui nesta terra e se sou um fruto da continua evolução do planeta que realmente eu tenho algum propósito nesta existência.
    Através da crença a qual me refiro acredito que temos um corpo físico e nele este contido o espírito.
    Nossa existência primeiramente foi gerada espiritual (alma) antes de nascermos já existíamos como espíritos. Com relação ao tempo físico podem se durarem como milhares ou milhões de anos de existência.
    Com relação ao nosso planeta foi preparado para nossa existência e o tempo disto não podem ser contados em termos físicos ou a matemática que conhecemos e aprendemos.
    O que foi dito sobre sete dias, sete milênios ou sete fases da criação; são meras interpretações de tradução que se refere que foi dito sobre a bíblia.
    Agora vivemos pela Fé, esperança e servir um ao outro em comunidade.
    Esta guerra que alguns declaram Criacionismo x evolução.
    O criacionismo diverge pelo fato da matemática exata da criação em espaço e tempo numa guerra religiosa de interpretação dos fatos contidos.
    A evolução diverge sempre que tiver a melhor teoria ou conhecimento sobre o assunto assim estudado e aceito pela comunidade cientifica.
    Acredito que ambos estão entrelaçados no que se refere a nossa existência como um quebra-cabeça de milhares de peça que estamos montando para um propósito maior que nossa evolução.

  1. Em suas palavras, é por não possuirmos um contato estreito com os mecanismos utilizados pela ciência que alimentamos a crença de que a vida sem ela é insossa. E se insossa, é que sem a ciência não teríamos à disposição (com crase, hein!) a definição dos fenômenos e a causa de cada um dos efeitos contados em nossa percepção. Em primeiro lugar, perguntaria, como o canalha que você chama de "niet" provavelmente por não saber escrever Nietzsche: nós, quem? quem alimenta essa crença? Em segundo, a sua compreensão do que seja ciência é estranha, como se a ciência nos ensinasse a ver o mundo. Suspeito que isso não passe de fenomenologia mau lida e mau compreendida.