A presente influência do Woodstock.


Nunca é demais citar G. K. Chesterton para invocar sua percepção a determinadas verdades; em uma dessas verdades percebidas ele declara que “agente procura a verdade, mas pode acontecer que a agente procure instintivamente as verdades mais extraordinárias”.

Tanto na arte como na ciência, a verdade é apresentada de forma tal que venha a causar admiração, quando não, espanto. O fato é que em qualquer atitude humana concernente a inspeção da realidade, espera-se sentir nessa verdade encontrada um lampejo de gozo, no sentido de provar com a descoberta essa verdade que dantes estava imperscrutável à cognição humana. Longe da pretensão de aconselhar Chesterton complementando suas descrições da realidade, eu diria que além de procurar verdades extraordinárias nós também queremos que tudo que apresentemos como nossas verdades, ou mesmo como nossa forma de ver tudo que julgamos ser verdade, seja também visto por todos como uma “coisa” extraordinária. Claro que não podemos especificar se isso é efeito da causa referente a nossos preconceitos e convicções pessoais, ou então, da vaidade contida no nosso ser de tornar aquilo em que depositamos nossas convicções algo mais embelezado por uma roupagem eufemista, tornando então tal convicção uma verdade extraordinária.

Bom seria se o ato de tornar a própria verdade algo extraordinário tivesse se limitado somente a “suposta” conversão dos Beatles ao hinduísmo em meados de 1966, quando George Harisson e John Lennon em viagens à Índia usaram a Bagavad-Gita (cartilha do hinduísmo) para “extraordinarizar” as singelas e românticas músicas dos garotos de Liverpool, que até então apenas cantavam sobre pueris relações amorosas, corações quebrados e garotas ideais almejadas por jovens rebeldes. Claro que canções como Sgt. Pappers e Imagine se perpetuaram como escolas musicais para futuros músicos - no caso da primeira; e futuros ateus romanticamente naturalistas, no caso da segunda – Imagine a word no religion.

Mas esse “bom seria” não é um fato, e a profecia de Chesterton também alcançou o mosaico da ciência quase uma década depois da conversão dos Beatles com a publicação do The Tao of Phisics (1975) de Frirjof Capra, alguns anos mais tarde veio a publicação de The Web of Life, e, O Ponto de Mutação (editora Cutrix no Brasil), ambas do mesmo autor do Tao. Acredito que a revolução hinduísta beatlemaníaca em 1966 não tenha nenhuma relação com Capra no que diz respeito a sua congratulação de doutor em física pela Universidade de Viena nesse mesmo ano – mas, sinceramente, tenho lá minhas dúvidas, até por que a Era do sexo, drogas e rock n’ roll estava só germinando, e o histórico Woodstock estava prestes a entrar pra história.

O ponto fundamental do pensamento de Capra se encontra na fusão entre, as teorias de caráter construtivo da mecânica quântica, e o misticismo oriental nas vertentes do hinduísmo, do budismo, do taoísmo, do zen e do I Ching. A física moderna, agora, é obrigada a suportar o “próprio cuspe no próprio olho” (que caiu por gravidade) depois de tantos séculos defendendo uma concepção mecanicista do universo gestada com Galileu e Newton; sendo inclusive, tal concepção, a base da inspiração dos físicos que procuram unificar as forças (conhecidas pelo menos) presentes no universo em um único sistema de equações. Tudo pelo simples almejo da audácia de torná-lo determinístico em todos os seus estágios de transmudação e entropia.

Deepak Chopra e Amit Goswani são companheiros de Capra na difusão dessa nova influência do Woodstock nas cadeiras científicas – ou poderíamos dizer nova vertente de forjar na própria verdade algo extraordinário? O fato é que o estereótipo de “místicos quânticos” foi inevitável, e a cada obra publicada por algum deles, a batelada de críticas por parte de toda classe naturalista da ciência se tornou praxe.

A questão crucial é que, esse exemplo de transformar a própria verdade em uma verdade extraordinária forjada, está longe de ser só mais um motivo de chacota para os materialistas, e ainda, está longe de ser a simples corroboração com o modismo pós-modernista em olhar a filosofia oriental como uma tradição de valor cultural inestimável, sendo digna até de ocupar nossa sociedade com jargões made in Caminho das Índias. Alguns religiosos, pra não dizer cristãos, tem aproveitado dessa nova exposição da realidade por parte dos místicos quânticos na justificativa de embelezar e embasar a fé, com o intuito de racionalizar a própria crença em Deus por essas vias supostamente científicas. Digo supostamente por que Goswani, Chopra, Capra e outros, tem sido “taxonomicamente” classificados como pseudocientístas assim como toda classe científica detentora do movimento Inteligent Desing, que erradamente são relacionados aos defensores do criacionismo científico cristão.

Para que a questão aqui não se torne demasiadamente obnubilada, é preciso se ater a dois problemas: a busca por verdades extraordinárias por parte dos chamados místicos quânticos, que utilizam os paradoxos da mecânica quântica para fundamentar uma concepção esotérica do universo, em que, mente e matéria estão ligadas por variáveis não-locais, ou seja, variáveis desconhecidas que influenciam um dado evento, sendo assim a base da alusão à filosofia oriental que defende uma concepção holística de universo; e ainda, a intenção de “alguns” em transformar a verdade religiosa cristã em uma “verdade religiosa cristã extraordinária”, utilizando essa concepção holística de universo com base na chamada “consciência quântica” apresentada pelos místicos quânticos. O fato é que, apesar de parecer inteligente, convincente e até ter a intenção de “dar razão aos que questionarem a respeito da fé”, tal ação não possui razão nenhuma – pelo menos razão no que se refere aos padrões bíblicos de fé cristã.

Diante dos dois problemas, é preciso apenas considerar que a verdade extraordinária dos místicos quânticos está longe de ser considerada uma ciência respeitada no rol científico. Isso devido ao fato de que a classe científica naturalista sente arrepios em ouvir até pequenos sussurros de sobrenaturalidade na ciência. Não pretendo discutir o motivo (a teoria quântica) que levou esses místicos quânticos a fundamentarem tal idéia, justamente por tratar de um campo da ciência que poucos compreendem com clareza, mas é fácil perceber principalmente em O Ponto de Mutação, de Capra, que a permuta entre a teoria quântica e o Taoísmo é forçada e muitas vezes conceitual. A questão é, essa nova classe de religiosos cristãos tem sido formada e tenta dar “razão” à própria fé utilizando toda parafernália esotérica quântica de Capra – talvez pudessem chamá-los de religiosos quanticamente cristãos.


Já prefaciado, então...

Émille Durkheim, considerado o pai da sociologia moderna, dizia que “as bases fundamentais do pensamento e consequentemente da ciência possui sua origens na religião”, sugerindo que uma das características fundamentais da constituição de um dado grupo de indivíduos como sociedade é a religião. No entanto, atribuir essa influência da religião como sendo de caráter epistemológico é aceitável quando se considera a realidade vigente em que se encontra a ação científica – a visão de realidade possuída por tal pesquisador, sendo influenciada pela religião, por exemplo, o geocentrismo de Ptolomeu. É comum encontrar cristãos fazendo menção a respeito da fé cristã newtoniana, antes contestada mas agora comprovada com a publicação de obras que mostram Newton como um interpretador profético, como por exemplo As Profecias do Apocalipse e o Livro de Daniel (Editora Pensamento no Brasil); sem deixar de citar Ptolomeu, Copérnico, Galileu Galilei, Blaise Pascal entre tantos outros. O problema não está no uso do chamado “argumento da autoridade”, que defende a idéia de que, “se essas grandes mentes criam no Deus cristão, logo quem sou eu pra discordar deles, também creio”, justamente por que no espaço e tempo de muitos deles a aplicação do pensamento de Durkheim é perfeita, e é considerável aludir aos tais exemplificando a perfeita convivência entre a fé e a razão de um indivíduo e suas relações a partir de uma visão sociológica e espiritual. Porém, a mesma prática voltada para o taoísmo de Capra e Goswani não é tão prosaica, não porque os mesmos fazem uso da filosofia oriental esotérica, que não é comumente aceita nos moldes da teologia cristã, mas porque tais questões voltadas não só para a teoria quântica como também para a relação entre sujeito observador e a realidade observada não são tão fáceis de tratar para conceber num modelo teórico que exprima tudo isso.

Particularmente, vejo que, além da complicada teoria quântica que ainda não é digna de confiabilidade como verdadeira devido ao problema da unificação - segundo Sthephen Hawking em Uma Breve história do Tempo (editora Racco no Brasil) - a relação entre sujeito e realidade é bastante obnubilada, seria preciso relacionar todo o conhecimento em potencial com uma espécie de descrição fenomenológica da realidade e do ato de adquirir conhecimento. Durante vários séculos esse foi um dos grandes problemas da filosofia, a intrínseca relação entre sujeito e realidade material, ocasionando na origem de duas vertentes que são classificadas pelo pensamento filosófico, a razão e o empirismo. Sem mais delongas, até o presente momento, não vejo coerência em justificar a fé cristã aludindo às teorias esotérico-quânticas mirabolantes que colocam a mente humana em plena ligação com todo o universo; em uma análise mais profunda é mais fácil se estabelecer um posicionamento deísta do que o teísmo cristão bíblico.

Os materialistas apresentam essa nova vertente da física moderna como charlatanismo quântico; a Verdade Bíblica apresenta algo além da prova da existência de Deus, simplesmente por que o fato de Deus “estar lá” é tão simples e natural que já parte diretamente para a relação entre Deus e o homem. Porém, não há também incoerência em atribuir ao fato de existir nessa existência perceptível as digitais divinas do Criador. “Certo” cristão fez menção a uma frase citada por Carl Sagan, astrônomo, que disse, “a ausência de evidencia não é evidencia da ausência”, como se referindo a ausência de evidencias empíricas da existência de Deus. Ora, o erro começa quando se faz uso desse pensamento visto que Sagan se referia a vida inteligente extraterrestre, e depois, não há ausência de evidencia, a própria existência é a principal evidencia entre outras evidencias. Em Romanos 1: 20 o apóstolo Paulo diz, “[...] os atributos invisíveis de Deus, desde a criação do mundo, tanto seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que foram criadas, de modo que eles são inescusáveis”; é possível que o “dar razão da vossa fé” mencionado pelo apóstolo Pedro vá além de dar uma razão lógica, filosófica ou científica da fé, talvez seja dar razão a fé da mesma forma que há razão no relacionamento entre dois indivíduos que se amam, ou seja, não há razão, há apenas realidade, existe apenas um relacionamento real – talvez essa seja a “verdade por si só extraordinária” mais incontestável que exista.

O problema, “talvez”, esteja no paradoxo inerente no ato de conceber essa fácil verdade extraordinária; é um fácil tão difícil de compreender, e o pior, tão dificíl de se ter.



Um Neologismo: Expertalhismo Dawkiniano


1° Parte

Quando eu soube da existência de um livro chamado God Delusion (Deus um Delírio, ed. Companhia das Letras no Brasil) de Richard Dawkins, confesso que me senti mal na primeira vez que o vi na livraria. Pensei comigo, "será que alguém conseguiu provar que Deus não existe?", e meu receio foi maior quando folheando o grosso calibre dawkiniano - não só no tamanho do livro na versão em português mas também no ataque estridente sem mensurar conseqüências - percebi logo que o alvo principal era o cristianismo.
Um certo dia me maneando ociosamente numa livraria resolvi comprar um exemplar de Deus um Delírio, porém, antes de ler, preferi me voltar a conhecer um pouco mais a pessoa de Richard Dawkins. Isso com o intuito de entender melhor seu ponto de vista. Diante disso, concluí que o livro deveria ser lido com respeito, mas não ao que estava escrito e sim ao quilate científico de Dawkins - zoólogo evolucionista, professor da Oxford Univesity e autor de vários best-sellers voltados a popularização da ciência.
A proposta deste post não é pretensiosamente levantar alguma argumentação contra Dawkins, as críticas à obra dawkiniana tem sido bem representadas, dando oportunidade aos leitores de observar uma prévia entre as duas faces do histórico impasse entre fé e razão, ou melhor, fé e cientificismo. Alister Mcgrath é um bom exemplo de contra ofensiva, colega de Dawkins em Oxford, biofísico e teólogo, além de autor dos best-sellers refutativos à obra de Dawkins: O delírio de Dawkins (ed. Mundo Cristão no Brasil) e Dawkins' God: genes, memes and origin of life, obras que não só criticam Dawkins como também apresentam uma refutação as suas idéias, sendo elas a causa de um interessante debate entre ambos ocorrido em 2007.

Durante a leitura de Deus um Delírio percebi algumas facetas sutis que estão mais para uma intenção econômica do que para um resultado elucidativo, onde a argumentação científica fica sufocada frente ao aproveitamento por parte do autor da realidade vigente das pessoas que terão acesso a obra. Isso fica evidente nas declarações que dizem, "se esse livro funcionar como espero, os religiosos que o abrirem serão ateus quando o terminarem", em outro ponto comunga o conforto de que, religiosos fundamentalistas serão sempre fundamentalistas, sendo assim inconvertíveis. Aparentemente Dawkins tenta prevê seu público alvo agindo pedantemente em alguns pontos, e em outros, sendo pessimista com a realidade mosaica do meio secular, ou seja, pessimista por saber que em geral o meio desprovido do conhecimento científico fundamenta suas concepções no senso comum; para Dawkins, isso não passa de ignorância.
Dawkins não só defende a teoria da evolução como também a apresenta ao leitor como uma “descrição real da realidade”, mesmo negando o fundamentalismo intrínseco no seu discurso estridente, principalmente contra a religião, a forma com que Dawkins apresenta e justifica seu darwinismo dá a qualquer um (em geral leigos, pois Dawkins apresenta sua obra para pessoas segregadas do meio acadêmico e de sua linguagem técnico-científica) a posição de que a teoria evolutiva é um fato irrefutável, ridicularizando e caindo no clássico ad hominem qualquer um que pense o contrário. Dawkins não poupa nem mesmo autoridades do rol científico, como Francis Collins, ateu convertido ao cristianismo que defende a evolução como o mecanismo usado e escolhido por Deus para desenvolver sua criação. Em uma entrevista num programa de TV americano cujo nome não tem importância, Dawkins elogia Collins por seu trabalho como diretor do projeto genoma, atribuindo a Collins o título de cientista brilhante. É estranho, pois, Dawkins e toda classe atéia ativista (Dan Dennet, Sam Harris e Cristopher Hitchens) usam o termo “brilhante” para se auto-intitularem, com a justificativa de que o termo “ateu” é forte e pejorativo; no entanto, mesmo sabendo que Collins é cristão e já tendo publicado o que eu chamo de sua "justificativa de fé", A Linguagem de Deus (editora Gente no Brasil), ainda sim, Dawkins atribui a Collins o adjetivo de brilhante.
Nessa entrevista Collins é um brilhante até o momento em que o apresentador, também ateu, afirma que Collins em similitude a todos os cristãos acredita na bíblia como revelação divina, inclusive no gênesis em uma conotação metafórica. A resposta de Dawkins é imediata, “então ele não é tão brilhante assim”; fica notório na declaração de Dawkins que o interesse ali é semelhante ao de todos os seus best-sellers bélicos contra a religião, que é o desrespeito à cognição alheia, ficando explícito que o brilhantismo está na questão da existência de Deus e não na produção ou representação científica.

Esse fato isolado fica longe de uma descrição não tão concisa do trabalho e da pessoa de Dawkins, sem deixar de citar sua importância intelectual no meio secular até por que Dawkins é um sujeito com uma publicação científica expressiva. No entanto, a fundamentação da militância dawkiniana contra a superstição tem suas bases em paradigmas, sendo eles estritamente materialistas numa roupagem científica "incontestável segundo ele" que deixam o receptor do argumento envolvido com o suposto caráter cientifico das “evidências” naturais.

2° Parte

O uso dos paradigmas pós-modernistas – principalmente o relativismo no que diz respeito à moral como resultado do pensamento naturalista – faz com o que o sujeito enxergue tais argumentos como supostamente óbvios, no entanto, o mesmo sujeito esquece que ele próprio é um fruto desses paradigmas. De forma mais sucinta, é a aplicação real do homem como resultado do meio social numa alusão a Hegel; ou ainda, da disponibilidade tecnológica no sentido mais amplo de tecnologia como propunha Marx. Em relação à gestação das convicções do indivíduo pelo meio, Dawkins parte do pressuposto de que todo sujeito dotado de uma mínima parcela de conhecimento corroborará com sua argumentação, visto que para ele os ateus são sempre mais inteligentes por que não se submeteram à tendência de crer em nada alem da realidade física; e ainda, foram agraciados com a aleatoriedade que os colocou em um tempo e um espaço no qual o acesso à tecnologia é mais facilitado, corroborando com a superestrutura marxista que compõe a sociedade e que faz da tecnologia sinônimo de inteligência, essa por sua vez sinônimo de ateísmo.

O fato é que Dawkins causa um olhar indiferente (pra não dizer amedrontado) na classe religiosa de leitores que conhecem seu trabalho, e ainda, um deleite a tempos potencializado por aqueles que defendem a posição do néscio no salmo 14, que diz no seu coração: “não há Deus (...)”, satisfazendo o anseio de viver sozinho na existência sem nenhuma dívida condenatória que lhe venha a ser atribuída. Dawkins além de invocar as palavras do néscio ainda declara, “ateus, saiam dos armários (...)”, e encerra Deus um Delírio com o que ele chama de, palavras de “otimismo e esperança”, fato estranho numa tentativa camuflada de justificar a vida numa posição em que todas as convicções estão voltadas para o nada. No materialismo não há esperança ou otimismo para o fim da vida, o que existe é o vácuo absoluto, a inexistência da consciência, com o objetivo de confortar a todos aniquilando a dor que sentimos em existir. Essa filosofia de vida é milenar, sendo característica dos epicuristas gregos que invocavam o atomismo de Demócrito para justificar a justa posição frente às mazelas da vida - Dawkins não está fazendo nada de novo.

Talvez o maior expertalhismo de Dawkins seja na consciência do período histórico que nos encontramos, em que determinadas características da pós-modernidade dão munição ao argumento ateísta que se restringe ao materialismo filosófico, além do naturalismo, na aleatória sucessão de eventos hipotéticos que justificam a realidade perceptível. Essa talvez seja a justificativa da prosaica posição adotada pelo homem pós-moderno de ser cauteloso nas suas escolhas visto que, a instituição religiosa, seja no caminhar paralelo e segregado do Estado, ou ainda, envolvida e influente nos trâmites governamentais confundindo-se até com uma teocracia, não deixa um registro histórico louvável na intenção de usar tal registro como argumento defensor ante os ataques da estirpe dawkiniana. Diante dessa realidade, fica difícil para o sujeito assimilar o conhecimento com crítica e perícia, até por que: o conhecimento teológico; a importância histórica da religião; a sua participação na instituição moral das diversas sociedades vigentes; a influência cristã nos paradigmas econômicos e sociais; a relação do homem x natureza no sentido mais filosófico de percepção e conhecimento da realidade; e por fim, o mal uso dos princípios da fé, que tem se tornado objeto de mercado não se diferenciando, por exemplo, de commodities agrícolas negociados em função da oferta e da demanda, não faz parte da vida cotidiana do sujeito que se volta a pensar em tais questões referentes ao conflito: mundo espiritual e mundo material. Para alguns, todas essas questões causam reflexão pois os mesmos tem consciência de que se trata da própria existência, no entanto, outros preferem apenas existir adotando um agnosticismo indiferente, se abstendo do enfado causado pelo trabalho de averiguar esse campo tão turbulento do conhecimento.
Alguém, num dia de prosa comigo, citou que Dawkins não era "intelectualmente honesto", e de fato ele não é, não precisar ser um religioso, no sentido mais amplo, para constatar isso. Muitos ateus se mostraram contrários aos ataques de Deus um Delírio, que em geral é contra qualquer forma de divindade, no entanto, é cômico perceber que Dawkins não usa nenhum critério para invocar divindades como Zeus, Horus, Mitra, Brahma e Odin na iniciativa de atacar o cristianismo. Porém é fato que Deus um Delírio e ainda o próprio Dawkins tem deixado de ter tanta expressividade atualmente, talvez pelo fato de que essa desonestidade intelectual tenha sido evidenciada por ter ficado notória a intenção estritamente lucrativa em publicar uma obra atrás da outra sobre tais questões. Na maioria delas, com argumentos repetitivos e mal educados cientificamente, apresentando a ciência de forma errada para quem não tem conhecimento do papel e das limitações epistemológicas da ciência. Já me desculpando do neologismo forçado para o termo "expertalhismo dawkiniano", tenho em mente de que a esperteza de Dawkins é bem maior do que a simples fagulha supracitada, e que podemos aguardar com calma, pois Dawkins e sua classe ativista atéia ainda vão espernear muito na intenção de chamar atenção, é só esperar a próxima investida de algum deles.

Eles estão soltos, mas nós estamos de olho neles.